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GEORGES WAMBACH

(Antuérpia, Bélgica, 1902 - Rio de Janeiro, RJ, 1965)

Autodidata, sua formação artística foi a vivência do ambiente familiar, em sua cidade natal. Seu pai era músico e sua mãe, pintora.

Wambach casou-se muito cedo e logo se separou. Muito boêmio e de ótima lábia, vendia facilmente os quadros que fazia. Os trópicos entraram na vida de Wambach pelas mãos de uma francesa. Na década de 20, conheceu Edith Blin, que trabalhava como atriz no Teatro Molière, em Bruxelas. Edith era casada com um diplomata brasileiro e em 1935, Wambach veio ao Brasil com Edith e os filhos dela.

Jardim Botânico

Em 1942, abriu-se a primeira exposição de Wambach no Brasil, no Salão Largo do Boticáriodo Museu Nacional de Belas Artes. Em telas a óleo, aquarelas e bicos-de-pena, o seu temário se mostrava em toda a sua amplitude. São paisagens brasileiras e européias, retratos de senhoras da sociedade carioca e vários interiores de igrejas barrocas. Eram as primeiras impressões de viagens pelo Brasil e evidenciavam o seu encanto pela luz e pelas cores apreendidas com maestria nas transparências da aquarela. Ao lado dessa produção formal, o pintor trabalhou nesse período em áreas alternativas, desenhando rótulos de remédios para laboratórios, cartões postais, colaborando em revistas como A Revista da Semana e Dom Casmurro. Esta última, no número de Natal 1943, publica várias aquarelas de Wambach, tendo como tema o cenário urbano do Rio de Janeiro: o Palácio Monroe, a praça Paris, o Theatro Municipal e a praça da Glória.

Paisagem com Igreja de São Conrado

Enquanto Carybé e Pancetti participavam no Movimento Vanguardista na Bahia e Guignard e Marcier despertavam os mineiros para as belezas de sua terra, Wambach abria os olhos para as mulatas, as vedetes de teatro de revista e as muitas atrações noturnas da então Capital Federal. Do seu atelier, Wambach saía para viagens pelo Brasil. O crítico José Roberto Teixeira Leite o chama de "andarilho da pintura", além de louvar sua boemia e sua sólida cultura. Nestas viagens, que cobriram grande parte do país, Wambach fazia aquarelas e desenhos, que lhe serviriam para, de volta ao estúdio, realizar trabalhos definitivos em óleo sobre tela. Nunca se esquecia de proclamar o seu amor ao Brasil. Aqui tenho pintado bastante, dizia, e tenho sido compreendido, pois o sentimento artístico do brasileiro é apurado.

Wambach recebeu a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, no grau de Oficial, em 1956. Sua casa, em épocas diferentes, foi freqüentada por Getúlio Vargas, pelo Marechal Dutra, por Café Filho e por Juscelino Kubitschek. Era muito sensível ao prestígio e gostava de conhecer gente que lhe abrissse as portas. Wambach nunca fez parte das rodas de artistas plásticos e intelectuais brasileiros. Era um pintor solitário, que não participava de movimentos de vanguarda. Se Wambach era ignorado por boa parte dos intelectuais, alguns festejavam sem restrições o bom humor, se não o talento do artista belga. Foi retratado por Guignard, de quem fez também um retrato.

Pedra da Gávea vista de São Conrado

Fonte: "Aquarelas de Georges Wambach - Impressões do Brasil". São Paulo, Editora Marca d'Água, 1988 e www.artenarede.com/wambach




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