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THOMAS ENDER

(Áustria, Viena, 1793 – 1875)

Por Monike Garcia Ribeiro - Historiadora graduada pela UFRJ, Bacharel em Museologia, e Mestra em Memória Social e Documento pela UNI-RIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro).

Thomas Ender tornou-se notório na técnica da aquarela e por se afirmar como pintor-viajante. Apesar de filho de comerciantes pobres, pode começar a sua vida artística aos doze anos, ingressando na Academia de Artes Sant’Anna na Áustria, e contando, na sua formação artística com a influência dos mestres Maurer, Mösme e Steinfel. Tornou-se paisagista muito cedo, dedicando-se a os recantos de Viena, sobretudo o Prater. Entre 1810 e 1816, pintou as montanhas de Salzburg, Steiermark, e as fronteiras do Tirol. Foi através de um quadro no qual retratava a floresta do Prater, “Excursão na floresta com vista para a distância”, que Ender ganhou seu primeiro prêmio, em um concurso, em 1817, tendo sido a obra adquirida pelo primeiro ministro do Reino da Aústria e da Baviera, o príncipe de Metternich.

Duas vistas do Rio de Janeiro - séc. XIX

Ainda nos anos de 1817, foi organizada uma missão científica (austro-bávara) para pesquisar e conhecer o Brasil, aproveitando as núpcias do príncipe D.Pedro de Bragança com a arquiduquesa d’Aústria, Dona Leopoldina, princesa e filha do Imperador Francisco I. Foi o próprio príncipe Clemens Von Metternich, chefe espiritual desta Missão, que designou Thomas Ender como integrante da mesma, como pintor de paisagens. No período em que esteve em solo brasileiro, de 14 de julho à 1 de junho de 1818, Ender fez aquarelas, desenhos e pinturas retratando o Brasil. Quando o grupo trazido pela princesa Leopoldina de Habsburgo chegou ao Rio de Janeiro, Thomas Ender era um artista de apenas 23 anos. Ficou pouco tempo no Brasil, mas teve tempo de produzir quase 800 trabalhos inspirados principalmente no Rio de Janeiro e um pouco em São Paulo, a grande maioria na técnica de aquarela, entre eles podemos mencionar: Aspecto da rua principal do Rio de Janeiro, Chafariz do Terreiro do Paço, Chafariz do Largo do Moura, Palácio de São Cristóvão, Val-longa, Quartel de Mata-Porcos. Foi em virtude das péssimas condições físicas de Ender que ele viu impedida a sua permanência em território nacional por mais tempo, partindo em 1818.

Panorama do Rio de Janeiro visto do terraço do Morro da Conceição - c.1820

De volta a Áustria, quase cinco meses após o regresso, Ender acompanhou o Imperador Francisco I em suas viagens pela Itália. Desta viagem com o Imperador resultou um álbum com 69 desenhos. Em 1819, o pintor foi agraciado com uma bolsa, concedida pela Academia de Viena, para estudar quatro anos em Roma, onde pinta quadros como O Golfo de Sorrento. Em 1824, Ender foi nomeado pela Academia de Belas Artes de Viena membro Artístico, por voto unânime. A partir de 1829, tornou-se pintor de câmara a serviço do arquiduque Johann, passando a retratar as paisagens dos Alpes Austríacos, em obras como O Vogelmaier Ochsenkar no vale de Rauris. Em 1837, quase vinte anos depois de ter deixado o Brasil, Ender acompanharia o arquiduque Johann por ordem do Imperador Francisco I, em viagem à Criméia, ao Império Osmânico e ao Reino da Grécia. Desta viagem, surgiram 330 aquarelas reunidas em um álbum. Em 1850 Ender foi demitido da Academia por motivos de mudança no panorama político sucessório, perdendo também o apoio governamental. Faleceu onde nasceu, em Viena, em 28 de setembro de 1875.

Rua principal do Rio - c.1820

Fonte: www.dezenovevinte.net




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