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J. ARAÚJO

(Salvador, Bahia 1939)

Minha família é da Bahia,  precisamente do interior Conceição de Coite. Nem sei como andam as coisas por lá ou se alguma hidroelétrica a engoliu. Sei sim que era um lugar lindo e eu menino ia com minha mãe visitar os pais dela. De lá tenho muitas e muitas recordações: do passeio de trem, da linda viagem, do apito, da batida do coração de ferro dele e da estação. Coisa de conto de fadas.

Tive uma infância no mato da roça, da mangueira, do abacate, do açude e do riacho. Meu avô Argemiro pegava as melancias verdes e desenhava meu nome - Natinho como me chamavam. Elas iam crescendo e, quando grandes, ele vinha com uma nos braços e me  mostrava: eram umas melancias enormes, dava pra sentar em cima.  Lá na roça fui vendo as cores, as borboletas e as flores. Minha mãe gostava de desenhar e eu ficava olhando. Eu dizia que ela escrevia figuras.

'Dois Irmãos, Leblon, Ipanema e Cristo'

Fui  internado no colégio dos Irmãos Maristas, onde cursei o primário, depois fui para o Dois de Julho e de lá para o Rio de Janeiro,  onde meu pai escolheu para continuar a sua jornada. E de pau de arara  chegamos aqui. Fomos para pensões e depois para o Hotel Argentina no Catete. Foi dura e linda essa odisséia. Estudei no Colégio Guanabara e no Rio de Janeiro, mas eu não gostava de estudar. Acabei saindo e, fazendo mais tarde o artigo 99, entrei para a Escola de Belas Artes e também para a de Desenho Industrial ao lado do Automóvel Club.

'Copacabana'

Já rapaz, com uns 17 anos, andava eu em Copacabana com um quadro em cada mão, na maior cara de pau oferecendo para as pessoas, e um dia, entrando no "Lucas", um rapaz de cerca de uns 30 anos me chamou. Mostrando um livro pra mim perguntou:
-Você sabe o que e arte naif?
-Não, não sei.
-É esta arte que você pinta. Você pode ir na minha galeria que fica ali, logo depois da Sá Ferreira.

'Maracanã'

Aí tudo começou. Fiz a primeira exposição com a ajuda dele no Hotel Miramar e depois fiz outra na Montmartre Jorge, sua galeria-loja-brechó, tudo junto, lugar encantador. Jorge Beltrão foi o primeiro marchand cearense brasileiro com sotaque francês e o maior do Brasil. Ele é quem colocou a Arte nas paredes da sociedade da época.

'Observatório Nacional'

Fonte: www.sabercultural.nom.br




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