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GIOVANNI BATTISTA CASTAGNETO

(Gênova, Itália, 1851 – Rio de Janeiro, Brasil, 1900)

G. B. Castagneto nasceu em 27 de novembro de 1851, na Paróquia de San Siro, em Gênova e veio com o pai para o Rio de Janeiro em 1874, quando contava com 23 anos. Antes de se dedicar exclusivamente à pintura, Castagneto teria sido marinheiro, daí o conhecimento de causa daqueles temas ligados ao mar que mais tarde fixaria em inúmeras de suas telas e que o tornariam célebre. Fez sua iniciação artística na Academia Imperial de Belas Artes (AIBA) onde estudou desenho figurado, desenho geométrico e matemática até 1884, tendo como professores, entre outros, Victor Meirelles e Zeferino da Costa, para o qual, inclusive, trabalhou como ajudante na execução dos painéis da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro.

Canoas na praia com Pão de Açúcar - 1894

Além de pintor, Castagneto foi professor do Liceu de Artes e Ofícios e no Liceu de Niterói, a partir de 1882. Em vida, recebeu algumas premiações, entre elas a medalha de ouro na Exposição Geral da Academia, em 1884, prêmio que então dividiu com o seu mestre alemão, Jorge Grimm, que o orientou entre 1882 e 1884. Em 1886, realizou a sua primeira exposição individual, na Casa Vieitas, no Rio de Janeiro e, em 1890, ajudado por amigos e admiradores, viajou para a França onde conheceu o pintor Frédéric Montenard, que o aconselhou a estudar com o marinhista François Nardi. Retornou ao Brasil em 1893, onde continuou a promover exposições individuais e a figurar,  esporadicamente, nas Exposições Gerais.

Encouraçado na Baía de Guanabara - 1897Estaleiro na Baía do Rio de Janeiro - 1885

Pão de Açúcar - 1887Marinha - Rio de Janeiro - 1895

Depois de sua morte precoce, o pintor passou a ser considerado por vários autores, como Rodrigo M. F. de Andrade, o maior marinhista brasileiro de todos os tempos. Em torno de Castagneto logo se constituiu uma imagem de artista independente, rebelde e moderno, que muito contribuiu para a grande valorização que sua obra conhece hoje no mercado de arte brasileiro. Tal imagem pode ser claramente percebida já na descrição que Gonzaga Duque faz do pintor: “Ele aprendeu consigo próprio. Arranjou uma caixa de tintas, comprou cartões e telas, alugou um bote e partiu para uma viagem à volta das nossas praias. Não quis saber de leis nem de regras. Precisava unicamente da natureza, da natureza vigorosa, para seus estudos de visual. Passava uma falua de velas enfunadas; e, febril, o punho ligeiro, a vista firme, esboçava-a num cartão, em três, quatro segundos. Uma onda corcoveava, contorcia-se, levantava-se rugindo, vinha abater-se às bordas da sua embarcação; pois bem, durante esse tempo os seus pincéis acompanhavam na tela o seu movimento, e quando ela abatia-se, os pincéis cessavam de trabalhar. A onda morria, no mar, fundindo-se com o grosso da água; mas, na tela, ficava viva, tumultuosa, arqueando o dorso, bramindo. Uma rajada de vento soprava de sudoeste: nuvens rolavam no céu; o mar cuspia. E quando à rajada sucedia a quietude, o artista tinha mais uma tela pronta”.

Embarcações fundeadas na Baía do Rio de Janeiro - 1886

Fonte: www.dezenovevinte.net e www.bolsadearte.com

 




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